Você já saiu de uma consulta sem entender exatamente o que está causando a sua dor? Já ouviu que “não tem nada” nos exames, mesmo sentindo dor todos os dias? Já passou por vários médicos e nenhum conseguiu resolver?

Se alguma dessas situações parece familiar, é possível que o profissional mais indicado para o seu caso seja o médico especialista em dor.

Essa especialidade ainda é pouco conhecida pela maioria das pessoas. Muita gente nem sabe que ela existe. Mas para quem convive com dor crônica, entender o que esse profissional faz pode ser o ponto de virada no tratamento.

Neste artigo, o Dr. Hugo Santiago Souto (CRM MG 54926), especialista em dor em Montes Claros, explica como funciona essa especialidade, o que a diferencia de outras áreas da medicina e em quais situações vale a pena buscar esse tipo de avaliação.

O que é a especialidade médica em dor

A medicina da dor é uma área médica dedicada ao diagnóstico e tratamento da dor como problema central. Enquanto a maioria das especialidades trata órgãos ou sistemas específicos (o cardiologista cuida do coração, o gastro cuida do aparelho digestivo), o especialista em dor foca no sintoma que mais afeta a qualidade de vida do paciente: a dor em si. No Brasil, o título de Especialista em Dor é reconhecido pela Associação Médica Brasileira e registrado no Conselho Regional de Medicina com um número de RQE. Isso significa que o médico passou por uma formação adicional, com avaliação formal, para atuar nessa área. A base mais comum para chegar à especialidade em dor é a Anestesiologia. Isso porque o anestesiologista é o médico que mais estuda os mecanismos da dor durante a formação: vias de condução nervosa, farmacologia de analgésicos, técnicas de bloqueio e analgesia regional. Esse conhecimento é exatamente o que se aplica depois no consultório de dor. O Dr. Hugo Santiago, por exemplo, fez Residência em Anestesiologia e depois se especializou em dor com aperfeiçoamento no Hospital Albert Einstein e no Hospital Sírio-Libanês. Essa trajetória é o que permite combinar o conhecimento clínico com o domínio de procedimentos intervencionistas.

O que esse médico faz no dia a dia

A primeira é o diagnóstico. Muitos pacientes chegam ao consultório depois de meses ou anos de dor sem uma explicação clara. Já passaram por vários médicos, fizeram exames, e ninguém conseguiu dizer com precisão o que está causando o problema. O especialista em dor é treinado para investigar a dor de forma aprofundada, conectando a história do paciente, o exame físico e as imagens de forma integrada. A segunda frente é o tratamento medicamentoso. A farmacologia da dor é muito mais complexa do que receitar um anti-inflamatório ou um analgésico. Existem dezenas de classes de medicamentos que atuam por mecanismos diferentes: alguns agem no nervo periférico, outros no sistema nervoso central, outros modulam a inflamação. O especialista sabe combinar essas ferramentas de forma personalizada para cada paciente. A terceira frente são os procedimentos. O especialista em dor realiza infiltrações articulares guiadas por ultrassom, bloqueios nervosos, bloqueios facetários, radiofrequência, aplicação de PRP (plasma rico em plaquetas), viscossuplementação com ácido hialurônico e abordagens de medicina regenerativa. Esses procedimentos são minimamente invasivos, realizados no consultório ou em ambiente ambulatorial, e na maioria dos casos permitem retorno às atividades no mesmo dia.

Qual a diferença entre o especialista em dor e o ortopedista

Essa é uma das perguntas mais comuns. A confusão é compreensível porque os dois profissionais tratam pacientes com dor musculoesquelética. Mas a abordagem é diferente. O ortopedista é o médico que cuida do sistema musculoesquelético de forma ampla. Ele trata fraturas, corrige deformidades, realiza cirurgias de prótese, reconstruções ligamentares e artroscopias. O foco principal é a estrutura: osso, cartilagem, ligamento, tendão. O especialista em dor foca no sintoma dor. Ele domina técnicas que o ortopedista geralmente não utiliza no dia a dia: bloqueios nervosos, radiofrequência, infiltrações guiadas por ultrassom, farmacoterapia avançada para dor crônica. O foco é controlar a dor e recuperar a função sem necessariamente operar. Na prática, os dois profissionais se complementam. Em muitos casos, o ortopedista identifica a lesão e o especialista em dor cuida do controle da dor, seja como tratamento principal ou como suporte no pré e pós-operatório.

E qual a diferença para o neurologista

O neurologista cuida de doenças do sistema nervoso: cérebro, medula espinhal e nervos periféricos. Quando a dor tem origem neurológica (como neuropatia diabética, neuralgia do trigêmeo ou dor pós-AVC), o neurologista é fundamental no diagnóstico. O especialista em dor entra quando a dor é o problema principal e precisa de um manejo específico. Ele conhece o sistema nervoso (assim como o neurologista), mas também domina articulações (assim como o ortopedista) e farmacologia avançada (assim como o anestesiologista). É uma especialidade que cruza fronteiras. Um exemplo prático: um paciente com hérnia de disco que sente dor irradiada para a perna pode ser avaliado pelo ortopedista (para saber se precisa de cirurgia), pelo neurologista (para avaliar se há comprometimento nervoso) e pelo especialista em dor (para controlar a dor com bloqueios, medicação ou radiofrequência). Cada um contribui com o seu olhar.

Quando procurar um especialista em dor

Existem sinais claros de que a dor precisa de uma avaliação mais aprofundada: A dor persiste há mais de 4 semanas, mesmo com medicação. Você já passou por mais de um médico e não recebeu um diagnóstico claro. Os tratamentos que fez trouxeram alívio temporário ou nenhum alívio. A dor está piorando progressivamente. Você sente dor que irradia para braços ou pernas, com formigamento, queimação ou sensação de choque. A dor está interferindo no sono, no trabalho ou em atividades básicas do dia a dia. Você toma analgésico ou anti-inflamatório quase todos os dias e a dor continua. Já ouviu que “não tem nada” nos exames, mas a dor é real e constante. Se pelo menos dois desses sinais fazem sentido para o seu caso, uma avaliação com o especialista em dor pode ser o próximo passo.

Como encontrar um especialista em dor confiável

Três pontos para verificar antes de agendar: O médico possui o título de Especialista em Dor registrado no CRM com número de RQE. Você pode conferir no site do Conselho Federal de Medicina (portal.cfm.org.br). A formação inclui Residência em Anestesiologia ou outra especialidade de base reconhecida, seguida de capacitação específica em dor. O profissional atua em um ambiente adequado, com equipamentos como ultrassom para guiar procedimentos. O Dr. Hugo Santiago Souto possui CRM MG 54926, RQE 46399 (Dor) e RQE 56640 (Anestesiologia). Atende em Montes Claros e também por teleconsulta para pacientes de outras cidades do Norte de Minas Gerais.

 
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