Quem pesquisa tratamentos para artrose do joelho provavelmente já encontrou a sigla PRP. O Plasma Rico em Plaquetas vem sendo estudado há anos como uma possibilidade de tratamento para algumas condições musculoesqueléticas, mas ainda existem muitas dúvidas sobre o que ele realmente faz, para quem pode ser indicado e qual é sua situação atual no Brasil.

Em julho de 2026, houve uma mudança importante: o Conselho Federal de Medicina publicou uma nova resolução regulamentando o uso do PRP como procedimento médico adjuvante em condições osteomusculares específicas, entre elas a osteoartrite do joelho.

Isso não significa que o PRP passou a ser indicado para toda pessoa com artrose. Também não significa que ele regenere automaticamente a cartilagem ou substitua outros tratamentos.

Neste artigo, o Dr. Hugo Santiago Souto, médico especialista em Dor em Montes Claros, explica o que é o PRP, como funciona, o que as evidências mostram atualmente e em quais situações sua indicação pode ser discutida.

Em resumo: PRP funciona para artrose do joelho?

O PRP pode contribuir para redução da dor e melhora da função em determinados pacientes com osteoartrite do joelho, mas os resultados não são iguais para todos.

Por isso, ele deve ser entendido como uma possibilidade terapêutica para pacientes selecionados, e não como tratamento obrigatório para artrose ou como garantia de regeneração da cartilagem.

Desde julho de 2026, o Conselho Federal de Medicina regulamenta seu uso como procedimento médico adjuvante para osteoartrite do joelho, com critérios relacionados à indicação, preparação, segurança e acompanhamento.

O que é PRP?

PRP significa Plasma Rico em Plaquetas. O procedimento utiliza sangue do próprio paciente, que é processado para produzir uma preparação com concentração de plaquetas superior à encontrada normalmente no sangue periférico.

As plaquetas são conhecidas principalmente por sua participação na coagulação, mas também armazenam e liberam proteínas e mediadores envolvidos em processos biológicos relacionados à inflamação, cicatrização e reparação dos tecidos.

Foi essa característica que levou ao estudo do PRP em diferentes condições musculoesqueléticas.

Um detalhe importante: o PRP é um produto biológico autólogo. Isso significa que o material utilizado é obtido do sangue do próprio paciente.

PRP realmente regenera a cartilagem?

Não é adequado afirmar que o PRP regenera a cartilagem de forma garantida.

Essa é uma das maiores confusões em torno do procedimento.

Embora existam pesquisas investigando os efeitos biológicos do PRP no ambiente articular, os principais resultados clínicos estudados são dor e função.

Até o momento, não se deve prometer que uma aplicação de PRP fará uma cartilagem desgastada voltar ao seu estado original.

Melhorar os sintomas não é o mesmo que reverter a artrose

Um paciente pode apresentar redução da dor e melhora da capacidade funcional sem que isso signifique restauração completa da estrutura da cartilagem.

O que mudou no Brasil em 2026?

Em 15 de julho de 2026 entrou em vigor a Resolução CFM nº 2.464/2026, que regulamentou o uso do PRP como procedimento médico adjuvante para determinadas condições osteomusculares.

A nova norma revogou a Resolução CFM nº 2.128/2015, que classificava a técnica como experimental.

As quatro condições contempladas pela nova resolução são:

  • osteoartrite do joelho;
  • discopatia lombar;
  • epicondilite lateral do cotovelo;
  • reparo meniscal.

Para quem tem artrose, existe um detalhe especialmente importante: a regulamentação cita especificamente a osteoartrite do joelho.

Isso significa que não é correto pegar essa autorização e automaticamente estendê-la para qualquer articulação ou qualquer condição musculoesquelética.

A nova regulamentação significa que o PRP é indicado para qualquer pessoa?

Não. Regulamentação e indicação médica são coisas diferentes.

A própria resolução estabelece que o PRP não substitui o tratamento clínico, a reabilitação, outros procedimentos intervencionistas ou a cirurgia quando essas abordagens estiverem indicadas.

Antes de discutir o procedimento, é necessário avaliar fatores como:

  • se a dor realmente está relacionada à osteoartrite;
  • intensidade e frequência dos sintomas;
  • grau das alterações articulares;
  • impacto da dor sobre caminhada, trabalho, sono e atividades diárias;
  • tratamentos já realizados;
  • resposta ao exercício e à reabilitação;
  • presença de outras possíveis causas de dor no joelho;
  • condições clínicas do paciente;
  • contraindicações ao procedimento;
  • objetivo terapêutico que se pretende alcançar.
O tratamento começa pelo diagnóstico e pela situação clínica do paciente, e não pela existência de um procedimento disponível.

Em quais graus de artrose o PRP pode fazer mais sentido?

O grau observado no raio-X não deve ser utilizado isoladamente para indicar PRP. Mesmo assim, o estágio da osteoartrite ajuda a compor a decisão.

Um consenso internacional publicado pela ESSKA e pela ICRS em 2024 avaliou 216 cenários clínicos diferentes e considerou o PRP mais apropriado principalmente em pacientes de até 80 anos com osteoartrite do joelho entre os graus Kellgren-Lawrence 0 e III, após falha de tratamentos conservadores não injetáveis ou de tratamentos injetáveis.

Nos quadros de grau IV, o consenso não considerou o PRP uma indicação apropriada.

Isso não deve ser interpretado como uma fórmula automática. O exame de imagem precisa ser relacionado aos sintomas, à função, ao exame clínico e aos tratamentos anteriores.

O que os estudos mostram sobre PRP na artrose do joelho?

Os estudos mostram possibilidade de melhora de dor e função em alguns pacientes, mas os resultados ainda apresentam variação importante.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2025 reuniu 11 estudos randomizados, com 1.616 pacientes, comparando PRP intra-articular com solução salina.

A análise encontrou melhora da dor favorável ao PRP em três e seis meses, porém com alta heterogeneidade entre os estudos. Aos 12 meses, o benefício não foi demonstrado. Para função, houve benefício em alguns períodos, mas não de maneira uniforme durante todo o acompanhamento.

Os próprios autores classificaram a eficácia encontrada como modesta e destacaram que a relevância clínica ainda é motivo de discussão.

Por que isso importa? Porque a comunicação sobre PRP precisa ficar no meio de dois extremos: nem tratar o procedimento como algo sem evidência, nem apresentá-lo como uma solução garantida para a artrose.

Por que os resultados dos estudos sobre PRP são diferentes?

Porque “PRP” não representa necessariamente um produto idêntico em todos os estudos e em todos os protocolos.

Há diferenças importantes em fatores como:

  • concentração de plaquetas;
  • quantidade de leucócitos;
  • sistema utilizado para preparação;
  • volume aplicado;
  • número de aplicações;
  • intervalo entre as aplicações;
  • grau da osteoartrite;
  • idade e características dos pacientes;
  • tratamentos realizados em conjunto.

Além disso, duas pessoas com osteoartrite do joelho podem apresentar quadros muito diferentes em relação à inflamação, força muscular, biomecânica, peso corporal, perda de função e mecanismos envolvidos na dor.

É por isso que comparar apenas o nome do procedimento pode esconder diferenças clínicas importantes.

PRP e ácido hialurônico são a mesma coisa?

Não. PRP e ácido hialurônico são abordagens diferentes, embora ambos possam ser utilizados por via intra-articular em situações específicas.

PRPÁcido hialurônico
É preparado a partir do sangue do próprio paciente.É um produto utilizado para viscossuplementação.
Contém plaquetas e diferentes mediadores biológicos.Atua principalmente sobre propriedades do ambiente intra-articular.
É estudado como terapia biológica.É utilizado como uma das possibilidades de tratamento intra-articular da osteoartrite.
Os protocolos de preparação e aplicação apresentam variações.Existem diferentes formulações e características do produto.

A decisão não deveria começar apenas com a pergunta “qual dos dois é melhor?”.

O mais importante é identificar o diagnóstico, o estágio clínico da doença, os tratamentos anteriores e o objetivo daquela intervenção.

PRP e infiltração com corticoide também são diferentes?

Sim. O corticosteroide intra-articular e o PRP possuem propostas e mecanismos diferentes.

O corticosteroide pode ser utilizado em determinadas situações com objetivo de reduzir inflamação e sintomas, frequentemente com expectativa de benefício em prazo mais curto.

O PRP possui outra proposta biológica e outro perfil de utilização.

Isso também significa que não existe uma sequência obrigatória em que todo paciente precise receber primeiro corticoide, depois ácido hialurônico e depois PRP.

O plano precisa ser individualizado.

Como o PRP é preparado?

O procedimento começa com a coleta de sangue do próprio paciente.

Esse sangue passa por processamento para separar seus componentes e produzir uma preparação com concentração de plaquetas superior aos níveis basais.

Depois de preparado, o produto é aplicado na região indicada, de acordo com o diagnóstico e o planejamento médico.

A regulamentação atual do CFM também estabelece exigências relacionadas à técnica, manipulação, rastreabilidade e segurança do material.

A aplicação de PRP no joelho pode ser guiada por ultrassom?

O ultrassom pode ser utilizado para orientar procedimentos intervencionistas e permitir visualização em tempo real das estruturas anatômicas e do posicionamento da agulha.

Essa orientação pode ajudar o médico a planejar com precisão o local da aplicação e acompanhar o procedimento.

O Dr. Hugo também explica esse recurso no artigo sobre infiltrações guiadas por ultrassom .

Quantas aplicações de PRP são necessárias?

Não existe um número universal de aplicações que sirva para todos os pacientes.

Os protocolos utilizados nos estudos variam. Há pesquisas com uma única aplicação e outras com séries de aplicações realizadas em intervalos definidos.

Por isso, frases como “três sessões resolvem a artrose” não representam adequadamente a evidência científica.

A definição do protocolo depende da situação clínica, da técnica utilizada e da avaliação médica.

Quanto tempo demora para o PRP fazer efeito?

Quando existe resposta ao PRP, ela não necessariamente acontece imediatamente.

O procedimento não funciona como um anestésico destinado a produzir alívio instantâneo.

Os estudos sobre osteoartrite costumam avaliar mudanças de dor e função ao longo de semanas e meses.

Por isso, o acompanhamento precisa considerar não apenas a intensidade da dor em um único dia, mas também mobilidade, capacidade funcional e possibilidade de retornar às atividades.

PRP substitui fisioterapia e exercício?

Não. O PRP é considerado um tratamento adjuvante.

A própria Resolução CFM nº 2.464/2026 estabelece que o procedimento não substitui os tratamentos clínico, reabilitacional, intervencionista ou cirúrgico indicados para cada caso.

Na osteoartrite do joelho, exercício terapêutico, fortalecimento, melhora da capacidade física e manejo de fatores modificáveis continuam importantes.

Em alguns pacientes, controlar melhor a dor pode contribuir para que a reabilitação seja realizada com maior funcionalidade, mas um procedimento não substitui automaticamente o trabalho de recuperação de força e movimento.

PRP pode evitar uma prótese de joelho?

Não é adequado prometer que o PRP evitará uma prótese.

A indicação de cirurgia depende do conjunto formado por sintomas, perda funcional, alterações estruturais, impacto sobre a qualidade de vida e resposta aos tratamentos não cirúrgicos.

Quando existe indicação cirúrgica bem estabelecida, o PRP não deve ser apresentado como substituto garantido da cirurgia.

PRP é um tratamento seguro?

O fato de o produto ser obtido do próprio paciente é uma característica importante do PRP, mas nenhum procedimento invasivo é completamente isento de riscos.

Podem ocorrer dor ou desconforto temporário após a aplicação, além de riscos relacionados a procedimentos realizados com agulha.

A segurança depende também de diagnóstico correto, avaliação das contraindicações, técnica asséptica, processamento adequado, ambiente apropriado e acompanhamento médico.

Então, para quem o PRP pode ser uma opção?

A discussão sobre PRP pode fazer sentido em pacientes selecionados com osteoartrite sintomática do joelho, após avaliação clínica individualizada.

Entre os pontos que precisam estar claros estão:

  • diagnóstico bem estabelecido;
  • sintomas clinicamente relevantes;
  • estágio da osteoartrite;
  • tratamentos conservadores já realizados;
  • objetivo terapêutico definido;
  • ausência de contraindicações relevantes;
  • expectativas realistas em relação ao resultado.

Isso é diferente de afirmar que toda pessoa que se enquadra nesses critérios necessariamente deve fazer PRP.

Onde o médico especialista em Dor entra nessa decisão?

O médico especialista em Dor pode contribuir quando a dor persiste, limita a função ou exige uma investigação mais ampla sobre seus mecanismos e possibilidades de tratamento.

Na osteoartrite do joelho, o cuidado pode envolver diferentes profissionais, entre eles ortopedista, fisioterapeuta e médico especialista em Dor, conforme a situação.

Antes de decidir por PRP, uma pergunta mais útil do que simplesmente “posso fazer PRP?” é:

Qual é a origem da minha dor, em que estágio está o problema e qual estratégia oferece uma relação adequada entre benefícios, limitações e objetivos para o meu caso?

Essa lógica também faz parte do trabalho em medicina regenerativa , em que a escolha do procedimento depende do diagnóstico, do estágio da condição e das características individuais do paciente.

Quando procurar avaliação para artrose do joelho?

Uma avaliação especializada pode ser útil quando a dor no joelho:

  • persiste ou retorna com frequência;
  • limita caminhada ou subida de escadas;
  • interfere no trabalho, exercício ou sono;
  • não melhora como esperado com o tratamento inicial;
  • vem acompanhada de perda progressiva de função;
  • gera dúvidas sobre PRP, infiltrações, ácido hialurônico ou outras possibilidades de tratamento.

O Dr. Hugo Santiago Souto, CRM-MG 54926, RQE 46399 em Dor e RQE 56640 em Anestesiologia, atende pacientes com dor articular e outras condições dolorosas em Montes Claros, Minas Gerais.

A consulta permite relacionar sintomas, exame físico, exames de imagem disponíveis, tratamentos anteriores e objetivos do paciente antes de definir se um procedimento como o PRP faz sentido naquele caso.

Perguntas frequentes sobre PRP para artrose do joelho

PRP é autorizado para artrose no Brasil?

Desde julho de 2026, o Conselho Federal de Medicina regulamenta o uso do PRP como procedimento médico adjuvante para osteoartrite do joelho, além de outras condições osteomusculares específicas. Isso não significa indicação automática para todos os pacientes.

PRP cura artrose?

Não deve ser apresentado como cura da artrose nem como garantia de regeneração da cartilagem. Os principais resultados clínicos estudados envolvem redução de sintomas e melhora da função em pacientes selecionados.

PRP é indicado para artrose grau 4?

Um consenso ESSKA-ICRS publicado em 2024 considerou o PRP apropriado principalmente em pacientes com osteoartrite Kellgren-Lawrence 0 a III após falha de tratamentos conservadores. Para grau IV, o consenso não considerou a indicação apropriada.

PRP substitui a prótese de joelho?

Não quando existe indicação cirúrgica formalmente estabelecida. O PRP é um procedimento adjuvante e não deve ser apresentado como substituto garantido da cirurgia indicada.

PRP e ácido hialurônico são iguais?

Não. O PRP é preparado a partir do sangue do próprio paciente e contém plaquetas e mediadores biológicos. O ácido hialurônico é utilizado para viscossuplementação. São abordagens diferentes.

É possível saber antes se o PRP vai funcionar?

Não existe garantia individual de resposta. Diagnóstico, estágio da osteoartrite, características do paciente, tratamentos anteriores e protocolo utilizado podem influenciar o resultado.

Fontes e referências

  • Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.464/2026. Regulamenta o uso de plasma rico em plaquetas como procedimento médico adjuvante no tratamento de condições osteomusculares específicas.
  • Conselho Federal de Medicina. CFM regulamenta uso de plasma rico em plaquetas para tratamento de condições osteomusculares específicas. 15 de julho de 2026.
  • Kon E. et al. Platelet-rich plasma injections for the management of knee osteoarthritis: The ESSKA-ICRS consensus. Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy. 2024.
  • Auroux M. et al. Efficacy of intra-articular platelet-rich plasma compared with placebo in knee osteoarthritis: a systematic review and meta-analysis. Joint Bone Spine. 2025.

Sobre o autor

Dr. Hugo Santiago Souto
CRM-MG 54926
RQE 46399 em Dor
RQE 56640 em Anestesiologia

Médico especialista em Dor com atendimento em Montes Claros, Minas Gerais, voltado à avaliação e tratamento de dores relacionadas à coluna, articulações, nervos e sistema musculoesquelético.

Dor no joelho está limitando suas atividades?

Antes de escolher um procedimento, é importante entender a origem da dor, o estágio da artrose e quais possibilidades de tratamento são adequadas para o seu caso.

O Dr. Hugo Santiago realiza avaliação especializada em Dor em Montes Claros.

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Conteúdo de caráter educativo e informativo. As informações apresentadas não substituem avaliação médica individualizada. A indicação de PRP ou de qualquer outro tratamento depende do diagnóstico, das características clínicas e dos objetivos terapêuticos de cada paciente.