De todos os procedimentos realizados no consultório do especialista em dor, a infiltração guiada por ultrassom é provavelmente o mais frequente. E também o que gera mais dúvidas.

“Dói?” “É perigoso?” “Funciona mesmo?” “É a mesma coisa que aquela infiltração que meu avô tomou anos atrás?”

Se você já pesquisou sobre infiltração e ficou com mais perguntas do que respostas, este artigo foi escrito para você. O Dr. Hugo Santiago Souto (CRM MG 54926), especialista em dor em Montes Claros, explica como o procedimento funciona, para quais condições é indicado, o que mudou com o uso do ultrassom e o que esperar antes e depois da aplicação.

O que é uma infiltração articular

A infiltração é a aplicação de um medicamento diretamente no local onde a dor está acontecendo. Pode ser dentro de uma articulação (como o joelho ou o ombro), ao redor de um tendão inflamado, dentro de uma bursa ou próximo a um nervo irritado. A ideia é simples: em vez de tomar um comprimido que circula pelo corpo inteiro para chegar ao local da dor, o medicamento é colocado exatamente onde precisa agir. Isso aumenta a eficácia e reduz os efeitos colaterais no restante do organismo. A infiltração não é um tratamento novo. Médicos utilizam essa técnica há décadas. O que mudou nos últimos anos foi a forma de fazer: hoje, o procedimento é guiado por ultrassom, e essa diferença é significativa.

O que muda quando a infiltração é guiada por ultrassom

Na infiltração tradicional, o médico localiza o ponto de aplicação pelo tato e por referências anatômicas. Funciona em muitos casos, mas depende da experiência do profissional e da anatomia do paciente. Em articulações profundas como o quadril, ou em estruturas pequenas como um tendão específico, a precisão pode ser limitada. Na infiltração guiada por ultrassom, o médico vê na tela, em tempo real, todas as estruturas envolvidas: osso, cartilagem, tendão, bursa, líquido articular. E vê a agulha entrando. Isso permite posicionar o medicamento exatamente onde ele precisa chegar. Na prática, isso significa três coisas para o paciente: mais precisão, porque o medicamento chega no ponto certo, aumentando a chance de resultado. Mais segurança, porque o médico visualiza vasos sanguíneos e nervos próximos. E menos desconforto, porque a agulha vai direto ao alvo e o procedimento tende a ser mais rápido.

Quais medicamentos são usados na infiltração

O tipo de medicamento depende do diagnóstico e do objetivo do tratamento.Corticosteroides são anti-inflamatórios potentes que reduzem a inflamação de forma rápida e eficaz. Indicados quando há bursite, tendinite aguda, artrite inflamatória ou sinovite. O efeito costuma ser sentido em poucos dias e pode durar semanas a meses. Quando usado com indicação correta, na dose adequada e com intervalos apropriados, o procedimento é considerado seguro. Ácido hialurônico é uma substância que existe naturalmente dentro das articulações, fazendo parte do líquido que as lubrifica. Com o desgaste da artrose, esse líquido diminui e perde qualidade. A viscossuplementação repõe essa lubrificação. O efeito é mais gradual, mas tende a durar mais tempo. Anestésicos locais são usados sozinhos ou combinados com corticosteroides. Quando o objetivo é diagnóstico, ou seja, confirmar que aquela estrutura é realmente a origem da dor, o anestésico local é a ferramenta principal. PRP (Plasma Rico em Plaquetas) usa o próprio sangue do paciente, processado para concentrar fatores de crescimento. É uma opção biológica para quem busca estimular a recuperação dos tecidos.

Para quais condições a infiltração é indicada

Artrose no joelho, quadril, ombro e mãos

A infiltração pode ser feita com corticosteroide para crises inflamatórias ou com ácido hialurônico para melhorar a lubrificação. Em artrose leve a moderada, a infiltração pode contribuir significativamente para o controle da dor.

Bursite

As bursites mais comuns que recebem infiltração são a bursite trocantérica no quadril, a bursite subacromial no ombro e a bursite da pata de ganso no joelho.

Tendinites e tendinopatias

Tendões inflamados ou degenerados respondem bem à infiltração, especialmente quando a fisioterapia sozinha não está resolvendo. Para casos crônicos, o PRP pode ser uma alternativa. Capsulite adesiva, conhecida como ombro congelado. A infiltração intra-articular com corticosteroide e anestésico pode ajudar a reduzir a inflamação e permitir que a fisioterapia avance.

Síndrome do túnel do carpo

Em casos leves a moderados, a infiltração guiada por ultrassom no túnel do carpo pode aliviar a compressão do nervo mediano.

Fascite plantar

Quando o tratamento conservador não é suficiente, a infiltração local pode ser considerada.

Como é o procedimento na prática

Antes da aplicação, o médico revisa o diagnóstico, confirma a indicação e explica o que vai ser feito. Se você tiver dúvidas, esse é o momento de perguntar. Você é posicionado de forma confortável, dependendo da articulação que será tratada. A pele é limpa com solução antisséptica. Uma pequena quantidade de anestésico é aplicada na pele para reduzir o desconforto da entrada da agulha. O transdutor de ultrassom é posicionado sobre a região. Na tela, o médico visualiza a articulação, o tendão ou a bursa. A agulha é introduzida sob visão direta, e o medicamento é aplicado exatamente no local planejado. Depois da aplicação, na maioria dos casos é possível retornar às atividades normais no mesmo dia ou no dia seguinte. O médico orienta caso a caso sobre cuidados.

Como é o procedimento na prática

Antes da aplicação, o médico revisa o diagnóstico, confirma a indicação e explica o que vai ser feito. Se você tiver dúvidas, esse é o momento de perguntar. A maioria dos pacientes sente um desconforto leve, não uma dor forte. A anestesia local na pele reduz a sensação da entrada da agulha. Durante a aplicação do medicamento dentro da articulação, pode haver uma sensação de pressão ou preenchimento. Em alguns casos, especialmente em articulações mais inflamadas, pode haver um desconforto momentâneo que dura poucos segundos. Depois do procedimento, é comum sentir um leve incômodo no local durante 24 a 48 horas. Isso é esperado e costuma passar espontaneamente.

Quanto tempo dura o efeito da infiltração

Depende do medicamento utilizado e da condição tratada. Corticosteroides costumam trazer alívio em poucos dias, com duração variável conforme o caso. Ácido hialurônico tem efeito mais gradual mas tende a durar mais tempo. PRP varia conforme o tipo de lesão e a resposta individual. É importante entender que a infiltração é uma ferramenta dentro de um plano de tratamento. Em muitos casos, o melhor resultado vem da combinação da infiltração com fisioterapia, ajuste de medicação e mudanças no dia a dia.

A infiltração tem riscos?

Todo procedimento médico tem riscos, mas a infiltração guiada por ultrassom é considerada segura quando realizada por profissional qualificado, com técnica asséptica e indicação correta. Complicações graves são extremamente raras. Cada aplicação precisa ter indicação clínica. O acompanhamento permite avaliar se a abordagem está funcionando ou se é necessário mudar a estratégia.

A infiltração de hoje é diferente da de antigamente? Sim. A infiltração que muita gente conhece por relatos de familiares era feita sem orientação por imagem. A precisão era menor e os resultados eram mais inconsistentes. A infiltração guiada por ultrassom representa um avanço importante. Se você teve uma experiência ruim com infiltração no passado, vale a pena saber que o procedimento atual é diferente.
Dr. Hugo Santiago
Médico da dor